Saindo de casa pela primeira vez

Há um ano resolvi mudar. “Mudar” não no sentido figurado, transcendental e figurativo, mas físico mesmo. Mudar de casa. Conheci um cara legal, decidi que ele era um bom pretendente para uma aventura monogâmica e apostei minhas fichas no relacionamento como desculpa para sair da casa dos meus pais e viver minha vida adulta e independente. Hoje darei minhas dicas de organização, falarei dos maiores perrengues e farei um apanhado de tudo o que aprendi nessa experiência maluca e super enriquecedora.

Estabelecido o desejo de mudar, parti para a ação. Precisava arranjar uma fonte de renda que me ajudasse a juntar dinheiro em pouco tempo. Na época, eu tinha acabado de abandonar um curso de engenharia e estava desempregado. No ritmo de aplicação de cerca de 3 vagas por semana, no final de dois meses fui contratado por uma empresa de vendas de Scanners, na qual estou até hoje como membro do time de Marketing. Parti então para a etapa dois: juntar dinheiro.

Nesse ponto tive uma ajuda: juntar dinheiro pra morar junto é relativamente fácil quando todas as partes estão empregadas. Meu namorado também estava em uma situação financeira que o permitia manter uns 20% do salário, então em 4 meses juntamos o necessário para pagar o caução, fazer a primeira compra do mês e investir em utensílios para a cozinha.

Escolhemos um apartamento do tamanho de um quarto de prisão mas com o charme de uma casinha na árvore. Em poucos meses aprendi o valor de cada centavo que eu gasto “a toa”, e o que pode ser considerado este “a toa” em termos de qualidade de vida. Aprendi que uma compra de supermercado planejada vale muito, e que um restaurante japonês pode estragar todo o planejamento financeiro. Aprendi também que economizar nas festas de final de semana pode resultar em uma cama mais confortável, numa smart simples e numa lavadora de roupas.

Ter juntado mais dinheiro resultaria, com toda certeza, numa casa mais confortável. Ter o consenso dos meus pais também teria feito eu me sentir mais seguro. Mas agradeço pelos perrengues que passei e pela oportunidade de estar aqui, falando pra ti: corre atrás do que você quer!